Como fazer música independente no Brasil: produção musical, arte e política na trajetória de Francisco Mário (1978-1988)
Autor(a)
Icaro Bittencourt
Orientador(a)
Prof. Dr. André Acastro Egg
Instituição
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Tipo de pesquisa
Doutorado
Data de defesa
19 de dezembro de 2022

| Licenciado e Bacharel em História pela Universidade Federal de Santa Maria-RS (2007). Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011). Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná (2022). Tenho experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil República, História Social do Trabalho e História da Música Popular Brasileira. Atualmente sou professor EBTT no Instituto Federal Catarinense – Campus São Francisco do Sul. |
icarohistoria@gmail.com
Como você resumiria sua pesquisa em uma frase?
A pesquisa investigou as principais relações entre a produção musical independente do cantor e compositor Chico Mário e o contexto cultural e político do Brasil entre o final da década de 1970 e os anos 1980.
Qual a questão central da sua pesquisa?
A questão central da pesquisa era estabelecer as relações entre a produção musical independente de Chico Mário e o contexto cultural e político do Brasil entre o final da década de 1970 e os anos 1980, demonstrando como as dimensões da produção cultural, da composição musical e do engajamento político se articularam de maneira específica e multifacetada na época da transição democrática.
Que fontes e métodos você utilizou?
Entre as fontes e métodos utilizados na pesquisa, posso citar a discografia do artista, os livros lançados por ele (especialmente uma obra que ele lançou sobre a produção musical independente), diversas publicações da imprensa da época e fontes oriundas dos acervos do Arquivo Nacional a respeito dos órgãos de repressão política e de censura da ditadura militar. Metodologicamente, a análise interpretou esse conjunto de fontes em três dimensões diferentes: a produção musical de maneira mais estrita; os vínculos do artista e de sua obra com a resistência política e cultural durante a ditadura militar e ainda as características mais propriamente artísticas de sua obra musical.
Quais foram suas principais conclusões?
| A possibilidade de produção musical independente que começou a se disseminar no Brasil na segunda metade da década de 1970 foi ativada politicamente pela relação de alguns artistas com a resistência cultural e política à ditadura militar. Este foi o caso de Chico Mário, artista que ao produzir sua obra e não encontrar espaços nas principais gravadoras do período, optou pela produção de seus discos por conta própria e vislumbrou nessa possibilidade uma maneira de se engajar em uma crítica cultural e política mais ampla ao autoritarismo vigente no contexto histórico das décadas de 1970 e 1980. A obra do artista, composta por canções e músicas instrumentais, dialogava com uma visão sobre a música popular brasileira que estava em crise no início dos anos 1980, o que fez com que ele enxergasse na configuração da indústria fonográfica e no arcabouço autoritário da ditadura as principais causas da falta de espaço e de visibilidade de sua arte. Para enfrentar isso, Chico Mário atuou em pelo menos três frentes analisadas no trabalho: engajou-se na militância e na crítica cultural que deu suporte à produção musical independente; movimentou-se cultural e politicamente contra a ditadura militar e a favor de uma transição democrática mais efetiva e ainda produziu uma obra sintonizada com suas aspirações de representar a cultura brasileira através de sua diversidade e de suas “raízes”, distante do que considerava como uma visão mais “comercial” da música brasileira defendida pelas empresas do ramo fonográfico.
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Onde podemos ler seu trabalho?
O trabalho pode ser acessado no repositório digital da UFPR através do link a seguir: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/80939
Cite cinco das suas principais referências bibliográficas.
DIAS, Marcia Tosta. Os donos da voz: indústria fonográfica brasileira e mundialização da cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.
EGG, André; FREITAS, Artur; KAMINSKI, Rosane (org.). Arte e política no Brasil: modernidades. São Paulo: Perspectiva, 2014.
MORELLI, Rita de Cássia Lahoz. Indústria fonográfica: um estudo antropológico. 2. Ed. Campinas (SP): Editora da Unicamp, 2009.
NAPOLITANO, Marcos. Coração Civil: a vida cultural brasileira sob o regime militar (1964-1985) – ensaio histórico. São Paulo: Intermeios – Casa de Artes e Livros, 2017.
VICENTE, Eduardo. Da vitrola ao Ipod: uma história da indústria fonográfica no Brasil. São Paulo: Alameda, 2013.




